A obra barroca pode ser entrevista como textos vivos porque feitos de movimento, transmutação de formas ainda não cabais que voltam para si próprios como testemunhos, visões de microcosmos poéticos. Dai podermos identificar os procedimentos da antropofagia cultural já no período colonial barroco, na afirmação de uma produção artística de grande valor e singularidade.
Ela surge em signos presentes nas obras de Mestre Athaíde e de Aleijadinho nas artes plásticas e arquitetura. Na música do período e na literatura, que tem entre seus expoentes os polêmicos gênios de Padre Antônio Vieira e Gregório de Matos, o Boca do Inferno.
Essas noções servem para relativizar classificações de gênero e datações como barroco e moderno, que não colaboram para o entendimento do nosso processo cultural. O barroco – enquanto expressão privilegiada do movimento, simultaneidade e vivacidade – é, sobretudo, uma característica recorrente na expressão cultural no Brasil. (E talvez Gilberto Freire tenha razão em reivindicar uma Tropicologia).
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Trecho do documentário "Aleijadinho" de Joaquim Pedro de Andrade - 1978.