Nas dinâmicas dessas imagens podemos reconhecer as influências da vida multiracial da colônia, sobretudo dos africanos. A mulatização da madona no teto de São Francisco opera a crítica à catequese. O medalhão esculpido para demarcar o cenário do drama barroco da mesma igreja, mostra o momento em que São Francisco recebe os estigmas.
Mário de Andrade assim descreve o intróito: “A cena é tratada realisticamente, o corpo do santo ajoelhado se joga para trás, como impulsionando ao contacto dos raios que vêm das feridas do Crucifixo. O corpo é que está impressionante pela proporção e movimento que domina o âmbito do medalhão. Esse é um dos momentos mais geniais da escultura do Aleijadinho, em que a uma doçura divina de primitivo italiano se alia um movimento, um senso realístico admirável.”
Sendo o movimento uma característica própria do barroco, a kynese de Aleijadinho, pode ser vista como uma quase animação.
Medalhão frontal de Igreja de São Francisco em Ouro Preto, de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.