Fábrica do Futuro


e.AR / Percurso Antropofágico

Roteiro 1



MANIFESTO ANTROPÓFAGO: UMA LEITURA HIPERTEXTUAL


 

 

 

 

11 de janeiro de 1928.

 

Em seu aniversário de 38 anos, Oswald de Andrade recebe de Tarsila do Amaral uma pintura incomum, em que um homem estranho de pés enormes e cabeça diminuta apoia melancolicamente o queixo em uma das mãos, tendo apenas a natureza como testemunha – o sol, o céu azul e um cacto verde.

 

O escritor e amigo de Oswald, Raul Bopp, que estava com o poeta quando recebeu o inusitado presente de aniversário, sugeriu: “Vamos fazer um movimento em torno desse quadro?”

 

Nascia assim o Clube da Antropofagia e a Revista de Antropofagia – na qual seria publicado o Manifesto Antropófago, cerne de uma das formulações teóricas mais originais sobre a natureza específica da arte brasileira.

 

Leia o Manifesto Antropófago e veja os quadros de Tarsila do Amaral.

 

Ao longo de todo o século XX, o expediente da criação de manifestos se deu a partir da inspiração do Manifesto Pau Brasil (1925) e do Manifesto Antropófago (1928).

 

Ao nosso ver, esta é uma evidência do gosto pela arenga, logomaquia ou guerra de palavras da herança ancestral tupinambá, que culminava a vingança dos parentes com a devoração do inimigo sacro.

 

É bom ressaltar que aquele que proferia o tacape verbal, ou seja, a boca que ofendia, não era a boca que comia. A vítima podia dar a última palavra: "essa carne que vocês irão devorar é a própria, transubstanciada nos parentes já comidos." Os manifestos são marcas de uma cultura que se constrói na resistência à cordialidade modernizante da expressão americana.


80 anos do Manifesto Antropófago, com outras referências, manifestações na arte e pesquisas.


Sugestões de debate e colaboração

1 - Debate on line a partir das questões surgidas no texto. (Sala do Café)

2 - Quais sons e imagens firmam o quadro da metafísica do Manifesto Antropófago?

 

Sugestões de leitura complementar

Biografia de Oswald de Andrade

Contexto modernista

"A antropofagia ao alcance de todos", de Benedito Nunes. Prefácio de ANDRADE, Oswald. A utopia antropofágica. Rio de Janeiro, Global, 1995. (resumo)

MOTA, Regina. Introdução à Metafísica bárbara.

ALMEIDA, Maria Cândida. Só me interessa o que não é meu.

 



Colaborações e Comentários (2)


 
- Maria Noel Paredes
Proposta de link
24/03/2010 10:55

Link: http://www.casadobruxo.com.br/poesia/m/sapos.htm

Palavra que receberá o link: Exemplo de poesia Antropofagica

Justificativa: Com o poema “Os sapos”, Manuel Bandeira abriu a Semana da Arte Moderna em São Paulo em 1922. Um tópico tão simple como o elegido pelo poeta, chamou a atenção de aqueles que estavam acostumados a outro jeito de poesia mais pomposa, com vocabulário difícil de ser compreendido por analfabetos. Muitas vezes a simpleza da arte chega mais longe que a formalidade das palavras.

noelparedes@hotmail.com

+ Maria Noel Paredes
Proposta de link
24/03/2010 11:09


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