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Cine Edgard e casa da rua Alferes: mobilização faz a diferença!
Importante patrimônio cultural e histórico da cidade de Cataguases, o Cine Teatro Edgard está em processo judicial de desapropriação, conforme decreto publicado pela Prefeitura Municipal em outubro passado. A iniciativa vem ao encontro da mobilização de vários segmentos da população, que há alguns anos lutam pela preservação do Cinema.
As imponentes linhas modernistas do prédio situado na praça Rui Barbosa guardam mais de cem anos de história. Foi na sala do então Cine Teatro Recreio, inaugurado em 1896, que o pioneiro do cinema nacional, Humberto Mauro, exibiu seus primeiros filmes. Reconstruído na década de 50, o cinema ganhou o estilo modernista e o nome que conserva ainda hoje.

Com 960 lugares, o Cine Teatro Edgard é o maior da Zona da Mata, e, apesar de tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1994, funciona em más condições e precisa ser restaurado. O imóvel pertence a uma família de Ubá e era alugado ao município até outubro do ano passado, quando a Prefeitura decretou sua desapropriação. O Município aguarda o resultado da ação judicial de desapropriação para dar o próximo passo: mobilizar recursos junto ao governo federal e estadual para restaurar e modernizar suas instalações e equipamentos.
A iniciativa responde a um anseio da população. Há alguns anos, diversas organizações da cidade, sobretudo ligadas ao terceiro setor e empresas, vêm lutando pela preservação do Cinema. A questão foi debatida durante a elaboração do plano diretor da cidade, em 2006, e reforçada em audiência pública em 2009, quando foi apresentada indicação para o PAC Cultural das Cidades Históricas.


Em 2010, a campanha pela desapropriação e restauração do cinema ganhou destaque em âmbito nacional e internacional com a realização do curta-metragem "Regard Edgar – Uma fita manifesta", produzido por cineastas, atores, músicos, técnicos, produtores e agentes culturais presentes no 2º Festival Ver e Fazer Filmes, realizado em agosto, em Cataguases.
O filme teve grande difusão na Internet, provocando manifestações de apoio em diversos pontos do país, com repercussão junto ao Ministério da Cultura e o IPHAN. “O curta-metragem é uma atitude cidadã, um manifesto político de defesa do cinema. O cinema é talvez o espaço cultural mais democrático da cidade, onde toda a população tem acesso. Por outro lado, o cinema é estratégico e fundamental para uma cidade que pretende se tornar um polo de produção audiovisual”, afirma Cesar Piva, gestor da Fábrica do Futuro.


O “Regard Edgar” foi exibido publicamente em diversas ocasiões, como na Feira do Empreendedor 2010 do Sebrae, em Belo Horizonte; na TV Trovoada, emissora de WebTV, de Lisboa, em Portugal; e nas festividades do aniversário de Cataguases, em setembro passado.
Com uma narrativa bem humorada, o filme acabou provocando uma nota do colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo. A campanha também foi tema de uma crônica do escritor Luiz Ruffato no jornal Folha de S. Paulo. E em janeiro desse ano, a “fita manifesta” integrou a programação da 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes.
Já a Casa da Rua Alferes...
Com a casa situada à Rua Alferes Henrique de Azevedo, outro importante patrimônio histórico de Cataguases, as coisas se passaram de maneira diferente. O imóvel chegou a ser objeto de desapropriação em 2008, mas o processo foi encerrado sem que houvesse mobilização da população, que nunca reivindicou o espaço como um bem público. Em 2009, participantes da II Conferência da Juventude, realizada em Cataguases, promoveram uma ação em favor da preservação da casa mas a inicativa não teve desdobramentos.
Abandonada pelos herdeiros e pelo poder público municipal durante anos e anos, a casa foi finalmente demolida em dezembro de 2010.
Segundo o arquiteto Paulo Alonso, presidente do Instituto Cidade de Cataguases, o fato do prédio do Cine Teatro Edgard já ter sido concebido e construído como um equipamento público faz toda a diferença: “O uso coletivo do imóvel - que comporta o cinema, salão de festas, lojas, etc -, legitima ainda mais as iniciativas da população para sua preservação. A iniciativa da prefeitura pela desapropriação vem a reboque dessa necessidade de dar um melhor uso público ao imóvel, ampliando e aprimorando suas instalações”.
Paulo Alonso observa que, no caso de uma cidade como Cataguases, com um patrimônio arquitetônico tão rico e vasto, o tombamento pode ser uma boa alternativa, uma vez que o município não dispõe de recursos para desapropriar todos os imóveis com valor histórico e cultural. “A casa da rua Alferes é um exemplo. Ela poderia ter sido preservada fazendo uso desse recurso”, diz o arquiteto.



Se você ainda não viu o “Regard Edgard”, clique aqui.
Veja verbete do Cine Teatro Edgard no Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases:
http://www.fabricadofuturo.org.br/guiamodernista/visita20.htm
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