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Gravação de "Quase Samba" mobiliza Muriaé!
Um filme de gente que sonha, uma cidade que sonha junto:
“Um filme de gente que sonha, gente comum, mas cheia de brilho e desejos. Um filme sobre a família, os núcleos de afeto, o milagre do destino que junta e separa pessoas e a luta grande que é viver feliz sobre a terra. A nossa terra: o Brasilzão”.
É assim que o diretor Ricardo Targino fala de seu primeiro longa-metragem, o “Quase Samba”, uma obra de ficção que tem produção da Bananeira Filmes, de Vânia Catani, e participação de grande elenco. Ricardo tem vários curtas-metragens premiados no Brasil e exterior, com destaque para o “Ensolarado”, que participou em 2011 do Festival de Cinema de Berlim, sendo o único brasileiro entre as 59 produções da Mostra Geração. A pré-produção do filme começou em abril e as gravações em Muriaé se concentraram no período de 24 de maio a 12 de junho. Antes de vir para Minas, a equipe já havia gravado várias cenas na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.
No elenco do longa estão, entre outros, a atriz e cantora baiana Mariene de Castro, vivendo a protagonista;Cadu Favero, Erom Cordeiro, ambos com recente atuação no filme O Palhaço, de Selton Mello; João Baldasserini, que atuou em Linha de Passe, de Walter Salles; Leandro Firmino, conhecido como Zé Pequeno devido a seu personagem no filme Cidade de Deus; e Otto, cantor e compositor que estreia agora no cinema.


Com gravações no centro da cidade e nos bairros de Nova Muriaé, Planalto, Sofocó, Distrito Industrial, Vila Eudóxia e nos Estúdios da Rádio Muriaé, o “Quase Samba” movimentou a cidade, envolvendo mais 200 pessoas diretamente, entre assistentes de produção, direção de arte, figurino, maquinaria, motoristas, ‘stand-in’, vídeo assiste, e figurantes. E ainda mobilizou hotéis, restaurantes, comércio, empresas de transportes, taxis e outros serviços. Sem dizer o incontável número de moradores que colaboraram para que as gravações acontecessem da melhor forma possível, acompanhando as filmagens no set e não se importando com a mudança em sua rotina.
“Isso vai ficar marcado para nós”, diz Ricardo. “A emoção, a entrega e a dedicação de cada muriaeense, que nos acolheu, trabalhou, ajudou, acompanhou de perto nosso trabalho. De todos que na sua casa fizeram silêncio para que as gravações acontecessem com a tranquilidade que marcou nosso set”. Sobre a escolha de Muriaé para as locações do filme, o cineasta explica: “Queríamos uma cidade que fosse a cara do Brasil do interior e das regiões metropolitanas, e encontramos aqui este cenário singular, além de parceiros importantes, organizados pelo movimento do Polo Audiovisual da Zona da Mata, que deram apoio à produção”.


Para Gilca Napier, diretora da Fundarte - Fundação de Cultura e Artes de Muriaé, a gravação do “Quase Samba” na cidade foi uma experiência ímpar para o cidadão: “O desfile de carros com uma filmadora pelas ruas no 1º dia, o convívio do cinema e das pessoas com o condomínio "Nova Muriaé”, a relação da Prefeitura com as necessidades de produção, a participação dos vereadores, das empresas e dos cidadãos criou uma rede de tensões e sensações nunca experimentadas antes. Tudo era novo. Será que esta turma diferente vai mesmo produzir um filme? A pergunta pairava no ar. Por trás desta orquestra, regendo de forma muito discreta, o maestro - Ricardo Targino. Pessoa sensível, inteligente que foi construindo sua teia, envolto em uma névoa que o colocava em outro lugar: dentro do filme ‘Quase Samba’”.


Com experiência no cinema e na TV, Cedric Aveline fez a cenografia e direção de arte do “Quase Samba”. Foi em Nova Muriaé que ele viveu sua experiência mais marcante: “Tudo levava a crer que o trabalho nesse bairro seria mais difícil, já que os moradores se ressentem da falta de assistência do poder público. No entanto, foi interessante interagir e transformar o local naquilo em que eles nem mais acreditavam, em algo belo, aconchegante. Fazer parte do processo de gravação de um filme acaba transformando o olhar do espectador, que passa a assistir os filmes com mais cuidado, sabendo das dificuldades de fazer algo esteticamente tocante”.

Juliana Castro, da Fábrica do Futuro, trabalhou como assistente da produtora Brenda Mattos. Ela comenta que a presença da equipe de filmagem na cidade provocou grande impacto na população, em especial nos bairros periféricos escolhidos como locação: “Os moradores do condomínio Nova Muriaé e Planalto deram um show de empenho para que tudo desse certo. Eles se entenderam como parte do processo de produção de uma obra cinematográfica e se sentiram prestigiados com isso. O filme elevou a autoestima deles e valorizou estes espaços, tanto por parte de quem vive ali quanto de quem olha de fora. Os comentários postados no blog de Silvan Alves mostram isso”. (Veja abaixo)
O destaque das parcerias locais:
A produção do filme contou com o apoio da Prefeitura de Muriaé, por meio da Fundarte – Fundação de Cultura e Artes de Muriaé, da Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, ENERGISA, Grupo Líder, Cristal Temper, Grupo São Geraldo e outras empresas e instituições locais.
Enquanto nos sets uma grande equipe se movimentava em torno de luzes, sons e imagens, do lado de fora, outra grande produção acontecia, a de garantir infra-estrutura para a realização do filme. “Para nós, da Fundarte - a logística e o acolhimento. Em meio a tudo isto, Cesar Piva, Henrique Frade, Mônica Botelho, eu e mais prefeitos e secretários formatávamos o Consórcio Intermunicipal de Cultura (que teve seu apelo no audiovisual) em que participam os municípios de Cataguases, Muriaé, Leopoldina, Mirai, Itamarati de Minas, tudo arrematado e encaminhado para a Câmara aprovar. Esta é a rede que dá suporte às grandes produções cinematográficas em nossa região – é o Polo do Audiovisual da Zona da Mata em plena atividade!”, comenta Gilca Napier.
Alunos da recém-inaugurada Escola Municipal do Audiovisual Carlos Scalla aproveitaram a oportunidade de colocar em prática o que aprendem nos cursos e trabalharam como assistentes em diversas áreas da produção.
A Fábrica do Futuro, de Cataguases, ofereceu suporte técnico, infra-estrurura, equipamentos e pessoal para a produção do filme, com destaque para a montagem do cenário de uma das cenas - o quarto/escritório de um personagem meio ‘nerd’, com muitas televisões, telas de computadores, caça-níqueis e outros eletrônicos. “Minha ideia é que os sonhos do personagem seriam projetados nas telas destes equipamentos. Foi aí que procurei a Fábrica do Futuro e com a ajuda da equipe conseguimos todos os equipamentos necessários. E o melhor: pessoal qualificado para montar a parte eletrônica, fazer a computação gráfica e os efeitos especiais para esta cena, além da edição dos vídeos dos ‘sonhos’ do personagem”, diz Cedric.
A revolução das pequenas e médias cidades brasileiras:
Ricardo Targino diz que saiu de Muriaé mais convencido de que as cidades do interior do Brasil têm potencial para desencadear uma revolução social e econômica no país, criando e praticando novos modelos de desenvolvimento sustentável: “O crescimento brasileiro pós-Lula, a perspectiva de distribuição de poder econômico, material, político e cultural horizontaliza os Brasis, as diversas regiões do país e principalmente as cidades de médio e pequeno porte. Essa é a revolução do interior, que cada vez mais será produtor de riqueza e não apenas consumidor do que vende o grande centro”, diz o cineasta.
É dentro desta perspectiva que ele vê o Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais: “O Polo combina, de forma inédita no Brasil, a parceria do poder público, da iniciativa privada e das organizações da sociedade civil, mobilizando a comunidade local e inserindo-a no processo desde seu início. Este movimento estruturado e com planejamento é fundamental para o sucesso da iniciativa, que ainda vem acompanhada do crescimento do mercado audiovisual e o incremento da demanda de produção nacional, já que aprovamos uma lei que fixa cota de tela de produção nacional na TV a cabo. Isso vai gerar mais oportunidades de trabalho e dar mais visibilidade aos artistas do Brasil, à riqueza e diversidade de suas obras”.
Para Cedric, apesar de algumas dificuldades – que foram superadas com criatividade - a escolha de Muriaé como locação valeu a pena: “Cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo, são cidades saturadas, e de certa maneira cansadas desta troca. Cidades que estão livres destes preconceitos cinematográficos estão mais dispostas a tentar algo novo, com suas cabeças frescas e prontas para criar. A vontade de conceber algo novo é maior e com muito mais paixão”, diz o cenógrafo.
Para Juliana, o “Quase Samba” mostrou que Muriaé e toda a região têm condições de sediar produções como essa: “O Polo Audiovisual é uma realidade e o resultado está aí, materializado nesse filme: boa parte do dinheiro investido nessa produção está ficando em Muriaé, mais o conhecimento e experiência adquiridos, a troca de informações e a mobilização de toda uma cidade em torno do desejo de fazer cultura. Acredito muito que de agora em diante aprenderemos a criar as oportunidades e não mais esperar que elas aconteçam”.




(Todas as fotos foram cedidas por Silvan Alves)
Veja abaixo alguns comentários postados por moradores de Muriaé no blog do Silvan Alves:
“Parabéns a Nova Muriaé, foi parar no cinema! Isso é produção cultural e viva o Polo Audiovisual!” Sandro Carizo
“Nova Muriaé pode até ter sido chamado de favela, mas o importante é que o bairro vai ser conhecido no cinema nacional e vai ser um sucesso!” Fernanda Dias
“É pra vocês verem que temos valor, até filme eles estão gravando aqui no bairro Nova Muriaé.” Leandra
“Moro no Planalto, eles estão filmando aqui e estou vendo tudo de perto, muito lindo!” Lua Blanco
“Temos que dar valor a este trabalho, uma cena envolve tanta gente e exige tanto trabalho!” Dutraman
“Fomos tantas vezes chamado de favelados, né? Que resolveram fazer um filme aqui para calar a boca de muitos por aí”.
“É muito bom ter nossa cidade como palco de belos filmes!” Graziele
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