Conectados em rede via Internet, cerca de 120 jovens de Belo Horizonte, Cataguases, Cordisburgo, Guaxupé, Juiz de Fora, Muriaé, Paracatu, Teófilo Otoni e São João Del Rei participaram do Sync, um evento sincronizado que aconteceu na noite de 27 de setembro. Cada coletivo organizou a ação em sua cidade, e a base central de transmissão foi instalada em Belo Horizonte, na sede da DuRolo Filmes.
Orquestrando o ‘streaming’, os coordenadores do Paralaxe Lab - Daniel Perini, Artur de Leos, Mariana Borges e Gustavo Jardim – apresentaram cada grupo e convidaram os participantes a falar sobre esta experiência de produção colaborativa em rede.

Na área externa da DuRolo, integrantes de alguns coletivos e convidados especiais acompanhavam o evento num telão e assistiam às belas intervenções audiovisuais projetadas nas paredes e árvores do local.
Cada coletivo falou um pouco da sua trajetória no projeto, de como se organizou como grupo e dos recursos criados para superar eventuais dificuldades na execução das propostas. Além dos 120 integrantes do Paralaxe, cerca de 60 pessoas assistiram ao Sync pela Internet.
Para o Coletivo sem
Eira nem Beira, de São João Del Rei, o Paralaxe foi o ponto de partida para a formação de um grupo que, após produzir oito vídeos no projeto “Poética dos Encontros”, está cheio de gás para muitas outras realizações: “O coletivo se fortaleceu, a gente trabalha melhor e de forma mais intensa, já fizemos uma Semana de Audiovisual aqui na cidade e agora queremos fazer um festival, integrando diversas áreas artísticas”, comenta Violeta Assumpção da Cunha.
Outro grupo que já anda com suas próprias pernas e pretende ir longe em sua caminhada é o Coletivo Arapuka, de Cataguases. “Prá nós, mais importante que produzir a web série “Musikada”, foi descobrir nosso poder de mobilização para formar uma grande rede que vem movimentando o cenário cultural da cidade e região”, diz Marcos Alves.
“Nosso maior desafio foi compor uma música com oito MC’s diferentes, eram oito cabeças pensando de maneira diferente, cada um com sua realidade, sua métrica, sua sonoridade. Mas no final deu tudo certo, e a gente ficou muito feliz com o resultado”, diz Kadu dos Anjos, do Coletivo Família de Rua, de Belo Horizonte, que fez o vídeo clipe “Mestre sem Cerimônia”, com mais de 20.000 visualizações em um mês.

Criatividade, colaboração e protagonismo marcam ações dos coletivos:
O sociólogo Daniel Perini, coordenador geral do Paralaxe, comenta que a participação dos grupos superou suas expectativas: “Quando lançamos, em abril deste ano, um convite público a coletivos jovens mineiros para participar do Paralaxe, nossa intenção não era reconhecer talentos isolados, e sim estimular a capacidade do grupo de produzir sinergia e aí sim, fazer a diferença! Fico feliz de ver que cada grupo mergulhou de cabeça na proposta e hoje se reconhecem como protagonistas na produção e difusão de conteúdo audiovisual e multimídia, construindo perspectivas de continuidade”.
Artur de Leos, coordenador de redes do Projeto, lembra que a resposta à Chamada Criativa já foi uma boa surpresa: “Recebemos 27 micro projetos, com propostas muito variadas, vindas de diferentes regiões de Minas Gerais, de grupos com experiências e interesses também diversos. Embora o regulamento do Paralaxe previsse a seleção de dez coletivos, decidimos incorporar os demais grupos à rede de cooperação, o que enriqueceu ainda mais o processo, na troca de referências, informações e conhecimento entre os participantes”.
Após a conclusão da etapa de formação, as propostas aprovadas contaram com recursos financeiros e acompanhamento de experientes profissionais para o desenvolvimento dos microprojetos. Este processo se deu por meio de encontros presenciais e à distância, utilizando uma plataforma eletrônica de produção à distância, o PROAR (Programa de Produção Audiovisual em Rede).
“O interessante é que o percurso de desenvolvimento dos projetos não se deteve apenas na criação e produção dos vídeos, mas contemplou também ações de formação, mobilização, intervenções artísticas em espaços públicos e a realização dos eventos de lançamento dos vídeos”, diz Mariana Borges, que atuou como orientadora de produção.
Realizador e diretor no cinema e no audiovisual, Gustavo Jardim, que atuou como consultor de todos os coletivos no PROAR, também acredita que o resultado final superou as expectativas.
- “Quando pensamos este projeto, não tínhamos a dimensão do volume que esta represa imaginária poderia aguentar e o quanto ela poderia gerar de energia criativa a partir dos fluxos que a encontrassem. Pois provou uma arquitetura potente para a realização audiovisual e formação de redes em todo o estado. Eis que os fluxos que saíram pelas comportas desta fábrica são maiores que a nossa própria represa. Mas esta é a física da imaginação. E é brilhante”.
O resultado final foram 24 vídeos em diversos formatos: documentários, micronarrativas de ficção, vídeo clipe musical, vídeo-arte, vídeo-séries e um site com aplicativo para compartilhamento de conteúdo on line. Além de outros 12 vídeos e inúmeras fotos, entre elas uma de 360 graus, em registros de um exercício de mobilização que aconteceu em maio, quando os diversos grupos realizaram intervenções urbanas em suas cidades. E o melhor: grande parte dos coletivos já se organiza e busca sustentabilidade para dar prosseguimento à suas ações.

Cesar Piva, gestor da Fábrica do Futuro, destaca que “esta é a ideia que move a Rede Criativa da Fábrica do Futuro: reunir em um espaço virtual pessoas verdadeiramente interessadas em colaborar, compartilhar e cooperar – para nós, palavras chaves para a sustentabilidade no Século 21”.
O Paralaxe é uma iniciativa da Fábrica do Futuro e do Instituto Cidade de Cataguases patrocinada pela Vivo com recursos da Lei de Incentivo à Cultura do Estado de Minas Gerais. O Projeto integra a Rede Criativa da Fábrica do Futuro (RECRIA).
Clique aqui para ver todos os vídeos produzidos:
http://vimeo.com/channels/paralaxelab/
Assista ao Sync na íntegra:
http://vimeo.com/channels/paralaxelab/51626745